quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Valquíria Gonsales da Silva *



Contato: ymorttal@gmail.com

O abastecimento do Mercado Público de Porto Alegre através dos trilhos do século XIX.



Resumo: Este artigo visa avaliar a relação da construção da linha ferroviária São Leopoldo – Porto Alegre com o abastecimento do Mercado Público da capital sul-rio-grandense. Pretende ainda produzir uma contextualização da cidade de Porto Alegre durante o final do século XIX e início do século XX. Artigos como este servem para solidificar a idéia de que o abastecimento do Mercado Público não ocorria somente por via lacustre, como se pensou durante muito tempo.

Palavras-Chaves: História do Rio grande do Sul, Porto Alegre, Mercado Público, linha ferroviária.



O Mercado Público localiza-se no Largo Glênio Peres no centro da cidade. O prédio foi inaugurado em outubro de 1869 e em seu interior funcionavam salas de prestação de serviços e um comércio de abastecimento. Durante o período de 1910 a 1914 se construiu o segundo andar do Mercado[1]. Na época, este pavimento foi destinado a brigar escritórios. Atualmente, nos espaços abertos acontece uma exposição de fotografias promovida pelo Memorial do Mercado Público e nas salas funcionam restaurantes e pequenas lojas.

O primeiro Mercado Público da capital dos gaúchos situava-se na Praça XV de Novembro, na época chamada de Praça Paraíso. Este mercado funcionou de 1842 a 1870, quando ocorreu a transferência, conforme diz Sérgio da Costa Franco:





A “Praça do Mercado” [referente ao local onde ficava o primeiro Mercado público] serviu à população até 1870, quando foi entregue ao público o novo Mercado, de maiores proporções, construído também na Praça paraíso, porém no alinhamento da Rua Voluntários da Pátria. O velho foi demolido em outubro de 1870.[2]



O autor ainda fornece maiores dados sobre a construção, no qual afirma que a obra custou 246 contos de réis, o que para a época constituía um valor elevado. Sendo que o município foi obrigado a arrecadar empréstimos para custear o término da edificação. Esta que, por sua vez, mantém desde 1913 a mesma exterioridade.

Em 1979 o prédio foi tombado como bem cultural. Durante quase toda a década de 1990 o espaço e edificação passaram por um processo de restauração. Esta ação devolveu a beleza deste patrimônio cultural e o consolidou como ponto turístico. A arquiteta do IPHAN, Ana Lucia Goelzer Meira, resume a trajetória da noção de conservação patrimonial no Brasil em seu artigo Patrimônio cultural e globalização, onde afirma:




No Brasil, a preservação do patrimônio histórico e artístico nacional, institucionalmente, inicia na década de 30 [1930]. Insere-se no processo de construção de uma identidade nacional pelo Estado Novo (...).A escolha prioritária de bens arquitetônicos excepcionais, ligados ao período do barroco e, particularmente, às expressões do poder dominante – como igrejas, palácios, casas de câmara e cadeia, acabaram fortalecendo uma memória monumental (...).Nos anos 70 [1970], esse conceito começa a ser ampliado para o de patrimônio cultural, e as tarefas de salvaguarda dos bens patrimoniais começam a ser divididas com os estados e os municípios.[3]



No século XIX Porto Alegre e as regiões ao seu redor absorveram diversos imigrantes italianos, alemães dentre outros. Ao longo deste século a cidade passou por diversos episódios dentre os quais pode ser citado o sitiamento das tropas farroupilhas[4], que resultou no aumento do comércio lacustre entre a capital e as cidades de colônias alemãs. Anos mais tarde, 1865 a 1870, a capital sul-rio-grandense tornou-se a cidade mais próxima da região onde ocorria a Guerra do Paraguai.

Após estes envolvimentos com guerras, Porto Alegre começou a receber os ares das inovações já ocorridas na Europa. Um desses interesses girou em torno da construção de ferrovias. Entre o final do século XIX e início do século XX houve um incentivo maior por parte do governo em promover a construção de estradas de ferro pelo país. Empresas estrangeiras de diferentes países investiram em obras que ligavam as zonas produtivas do interior aos portos (Porto Alegre e Rio Grande).

No início, a maioria dos produtos eram transportados do interior para a capital pelo Lago Guaíba (este possui ligação com a Laguna dos Patos e outros rios que correm o estado gaúcho, exemplos disto são os Rios Jacuí e Caí). A construção de linhas férreas facilitou o transporte dos produtos produzidos no interior para a capital gaúcha. Umas das primeiras estações do estado foi a de São Leopoldo-Porto Alegre. Os investimentos para esta construção foram de capital inglês.

Por conta do crescimento econômico e produtivo da colônia de São Leopoldo, viu-se a necessidade e importância de construir uma estrada de ferro que a ligasse a capital. As dificuldades enfrentadas no transporte de cargas pelo Rio dos Sinos não eram mais enfrentadas e surgiu uma rota comercial ágil e rápida.

Através das ferrovias a população sul-rio-grandense apreciou uma nova forma de transporte veloz e econômico. Enquanto o Estado, tomou conhecimento das facilidades deste tipo de condução, tão comum nas potências internacionais da época.




Referências Bibliograficas:

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. da Universidade / UFRGS, 1988.

POSSAMAI, Zita Rosane. ORTIZ, Vitor (orgs). Cidade e memória na globalização. Porto Alegre:Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2002. p.121-122.



Notas:
*Acadêmica do Curso de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Este trabalho foi desenvolvido para a disciplina de Estágio II ministrada pela Professora Elisabeth Rochadel Torresini.

[1] Ver mais em: FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. Porto Alegre: Ed. da Universidade / UFRGS, 1988.

[2] Ibidem, p.270.

[3] POSSAMAI, Zita Rosane. ORTIZ, Vitor (orgs). Cidade e memória na globalização. Porto Alegre:Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2002. p.121-122.

[4] A Revolução Farroupilha durou de 1835-1845.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Luiz Gustavo da Silva Oliveira*




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..A II Guerra Mundial sob a Ótica dos Quadrinhos: Atraindo as Jovens Massas Para o Esforço de Guerra.

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Resumo:
Este trabalho contribui com a visão mostrada nas revistas em quadrinhos do Superman*, dos anos 1940, retratando a 2ª Guerra Mundial. Parte-se da idéia de que a difusão deste tipo de leitura, por ser uma mídia barata, dirigida a crianças, tornou-se uma ferramenta perfeita para captar a simpatia das crianças à atuação dos Aliados e rejeição ao Eixo.

Palavras-chave: Manipulação, Doutrina, História em Quadrinhos, Crianças, Inimigos, Eixo, Aliados, Superman e II Guerra.

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Os EUA na II Guerra Mundial

Os Norte-Americanos só entraram oficialmente na 2ª Guerra Mundial após o ataque japonês a Pearl Harbour em 07 de Dezembro de 1941, até então a participação americana era de fornecedora de produtos aos países aliados.

O ataque japonês provocou a ira do americano médio, que exigiu uma resposta, com tamanho apoio popular eles entraram na guerra não só contra os japoneses, mas contra todo o eixo. Nos meses que seguiram o ataque a batalha do pacífico se desenrolou em um espaço de tempo muito curto e marcado com muitas vidas perdidas para ambos os lados, a cada ilha tomada pelos americanos milhares morriam, e assim, nos cerca de 11 meses que seguiram o ataque a Pearl Harbour, as Forças Armadas Estadunidenses praticamente acabaram com a frota naval japonesa e com muitas de suas tropas. Com a diminuição dos conflitos armados no pacifico o Exército americano passou a dar mais atenção para a guerra na Europa, onde o exército nazista estava sofrendo terrivelmente na URSS, onde cerca de 80% dos soldados de Hitler estavam tentando chegar a Moscou.


Os Quadrinhos

Minha pesquisa ficou focalizada nas revistas Action Comics, de tiragem mensal onde a personagem principal é o Superman.

Em minha pesquisa realizei uma análise da aparição de histórias tendo como fundo a 2ª Guerra Mundial, e observei que no período anterior ao ataque japonês a Pearl Harbour três edições apresentaram a guerra, tendo o herói combatendo nazistas, mas após o ataque, a guerra aparece em cinco edições (1942), mas agora tendo como principal vilão os japoneses. Já em 1943 o número de edições cresce para 7, mas o alvo dos roteiristas agora fica bem dividido entre os japoneses e nazistas. Neste ano as revistas começam a publicar pedidos para que comprem bônus e selos de guerra, dizendo que assim ajudariam os militares a acabar com os japoneses. Nos dois anos seguintes as histórias com tema na 2ª guerra são reduzidas para apenas 1 por ano.


Conquistando os Jovens

Não é difícil notar o porquê do interesse do governo e das grandes editoras nas crianças, a vendagem de revistas em quadrinhos era imensa, e naturalmente as crianças desejam se sentir úteis, e se o governo e revistas feitas por adultos dizem que comprando selos e bônus de guerra você estará ajudando a por um fim com os “odiados japoneses” muitas crianças irão acreditar.

Ainda no inicio de 1942, registravam-se 143 revistas em quadrinhos em circulação nos estados unidos, lidas mensalmente por mais de 50 milhões de pessoas.

Moacyr Cirne diz que os quadrinhos se constituíram, desde suas origens em organismos culturais manipulados pelo aparelho ideológico do estado, mas eu discordo disto. Acredito que os quadrinhos surgiram como uma forma barata e alternativa de diversão para as camadas mais baixas, que em pouco tempo ganhou popularidade, e assim atraiu a atenção de terceiros com intenções diferentes das iniciais, tanto políticas como exclusivamente financeiras (assim se ligando a aspectos políticos).

Os aspectos políticos ligados aos pedidos de apoio às crianças para o esforço de guerra feitos com grande pressão no ano de 1943 estão mais ligados com o fato da “descoberta” e libertação dos campos de concentração ter sido feitas no mesmo ano, e como a maior parte dos editores, roteiristas, desenhistas e o dono, o presidente da Detective Comics Inc. Jack Liebowitz, serem judeus a influencia no aspecto pessoal se misturou com política.

No período da segunda grande guerra o gênero dos super-heróis se viu em alta, num ritmo de crescimento jamais visto antes nos quadrinhos, tudo graças à guerra, onde as personagens atuavam auxiliando os humanos, pois uma característica das histórias da DC comics foi a de que personagens fantásticos não vencem conflitos históricos (I e II Guerras, Guerra civil Americana, etc.), apenas auxiliam os humanos, por isso o gênero humanizado das revistas com temática de grupos de soldados na guerra também esteve em alta, pois em ambos os gêneros as crianças conseguiam se imaginar como parte de algo maior, parte de uma Guerra Mundial, quando no mundo real estas mesmas eram ignoradas nas áreas relativas a assuntos importantes.

Mas o gênero de super-heróis e de grupos de soldados quase sumiu com o pós-guerra, o surgimento da televisão e a mudança do enfoque mundial, que deixou de ser a guerra ativa e passou a ser a caçada aos comunistas nos EUA na guerra fria, as histórias ficaram deslocadas por certo tempo, sem um tema bem definido, e assim as vendas despencaram e diversas revistas foram canceladas, e as vendas só foram retomadas em números grandiosos no final dos anos de 1950.


Referências Bibliográficas:

CENSULLO, John L.. Parte Um: A Era de Platina. In: Artigo Livre Publicado em Diversos Sites. http://www.fanzing.com/
CENSULLO, John L.. Parte Dois: A Era de Ouro In: Artigo Livre Publicado em Diversos Sites. http://www.fanzing.com/
CYRNE, Moacyr. Para Ler Quadrinhos. Rio de Janeiro: Editora Vozes. 1972.
PATATI, Carlos. BRAGA, Flávio. Almanaque dos Quadrinhos. Rio de Janeiro: Ediouro. 2006.
TEIXEIRA, Rafael. A Indústria dos quadrinhos. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro 2003.

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Revistas em Quadrinhos:

ACTION COMICS 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90 e 91.

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Notas:

* Acadêmico do Curso de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Este trabalho foi desenvolvido para a disciplina de Estágio I ministrada pela Professora Elisabeth Rochadel Torresini.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Maitê Peixoto*





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O Quarto Poder Vermelho: Estratégias de difusão do discurso
comunista através dos jornais Voz Cosmopolita e A Lanterna (1922-1935)


Resumo:
O presente artigo propõe uma análise sobre a estrutura do discurso desenvolvido por membros do Partido Comunista do Brasil, nos jornais Voz Cosmopolita e A Lanterna, particularizando suas bases ideológicas e identificando a estratégia utilizada para seleção de textos impressos, bem como o seu público alvo.

Palavras-chave: História do Brasil, ideologia, discurso político, mídia impressa, Partido Comunista do Brasil, Voz Cosmopolita e A Lanterna.



A diversidade de obras referentes à formação do movimento operário brasileiro e sua tortuosa caminhada em busca de afirmação é relativamente ampla. O que pouco se conhece é o estudo da mídia impressa que plasmou o discurso do Partido Comunista do Brasil (PC do B) nos seus primeiros anos de atividade. Tanto o jornal Voz Cosmopolita quanto A Lanterna tinham um mesmo fim: atacar o sistema político e sócio-econômico brasileiro, suas instituições e, sobretudo, a classe dirigente do país.

As estratégias de discurso utilizadas por cada uma das publicações, entretanto, diferem muito, caracterizando vertentes ideológicas distintas que, driblando as divergências teóricas, conseguiram articular textos complementares no que tange à prática política. Portanto, a importância deste trabalho está justamente na oportunidade que propõe de identificar os princípios teóricos e práticos que nortearam a ação das primeiras lideranças operárias organizadas dentro do PC do Brasil através do reavivamento da memória desses militantes e de suas manifestações na imprensa.

Voz Cosmopolita era uma publicação organizada pelo Núcleo de Trabalhadores em Hotéis, bares e restaurantes do Rio de Janeiro, mas seus editoriais eram destinados aos trabalhadores dos mais diversos setores produtivos da sociedade brasileira com o intuito de organizar a luta proletária. Sua atividade se desenvolveu tenazmente ultrapassando, inclusive, os penosos obstáculos da falta de instrução como fica expresso nas palavras de um dos membros da organização:
Um rasgo de audácia que chega á temeridade,
lança no seio da classe, hoje, 1º de janeiro
de 1922, a Voz Cosmopolita. Não ignoram,
estou bem certo, a difficuldade de empreza.
Sabem que têm de luctar tenazmente, que
têm de fazer das próprias fraquezas e forças e
que apezar de tudo, muito deixarão a desejar,
pois nem são jornalistas, nem por sonho roçaram
os bancos de uma academia e isso porque todos
sabemos que a intrucção é monopólio dos ricos
[sic!].[1]

Atualmente o acervo que corresponde ao período de 1922 a 1926 se encontra no Arquivo da Universidade de Campinas (UNICAMP) em São Paulo e está digitalizado no Fundo Astrogildo Pereira; o mesmo ocorre com o jornal A Lanterna, publicação da ala anarquista do PC do B. Todavia, o segundo se estende até o ano de 1935 e articula praticamente todo o seu discurso como uma reação à Igreja tendo como base teórica mais próxima um anarco-sindicalismo que mescla elementos de um marxismo-leninismo pouco absorvido.

Os anos de 1920 e 1930 representam na história do movimento operário brasileiro o período de gestação do primeiro partido político de esquerda, o Partido Comunista do Brasil, e marcam as constantes tentativas da agremiação em se tornar parte integrante e ativa de um contexto mais amplo de lutas e conquistas proletárias plasmadas na Terceira Internacional Comunista.

Este é um tempo de rupturas teóricas e práticas, é o momento em que um novo horizonte se abre na perspectiva urbana. A esquerda brasileira na década de 20 se baseia num princípio claro de “aglutinação corporativa” e está muito mais próxima de uma associação reivindicatória por melhores condições de trabalho do que de fato constitui-se num órgão de identificação classista, o que convém dizer, se trata de um mecanismo de ação diretamente ligado aos ideais ácratas que chegam antes nos principais centros econômicos do país e se fundem na ação dos representantes sindicais dos principais setores de produção de mercadorias da sociedade.

É curioso atestar que essa mesma década produz um partido político simbolicamente marxista-leninista, na medida em que assume uma organização estrutural baseada no centralismo democrático e tenta induzir uma aproximação maior com a Internacional Comunista como forma de se afirmar politicamente numa condição de pertencimento ao movimento internacionalista muito presente na URSS nesse momento, mas simultaneamente demonstra orientação ácrata em suas ações e na própria produção intelectual que se propõe difundir como a essência do movimento. O próprio fundador do Partido Comunista Brasileiro, Astrojildo Pereira, em intervenção ao prefácio escrito por Silvio Romero em Obras Completas de Tobias Barreto assinala sua “aceitação entusiástica da ideologia anarquista desde 1910” juntando-se à “ausência de tradição marxista no país” o que segundo ele constituía “um lastro ideológico difícil de alijar”. [2]

As declarações de Astrojildo Pereira são taxativas quando nos remetem a uma prática política pouco ou nada condizente com o marxismo, no entanto, a roupagem revolucionária na qual o PCB se escondia nesse momento era resultado, sobretudo, de uma transformação social e de uma necessidade criada por esses militantes, que evidenciou a incapacidade das formas antigas de representação caracterizadas por greves, piquetes ou Assembléias subdivididas em categorias de ofício, de não se mostrarem satisfatórias na melhoria das condições de trabalho dessa parcela reivindicante da população, o que também é observado por Astrojildo Pereira como uma “ideologia pequeno-burguesa” [3] ainda muito presente na ação dos líderes do Partido Comunista Brasileiro.

Na verdade o marxismo-leninismo só começa a penetrar nas fileiras do Partido na década de 30, conseqüência lógica das mudanças na ordem social. No cenário Internacional temos a morte prematura de Lênin e a alavanca política de Stálin que reformula o marxismo e conduz a uma prática ideológica estreita com diretrizes formais de ação impostas sobre todas as instâncias partidárias ligadas à URSS. Oscar Negt define com propriedade o período histórico onde convergem a teoria e a prática em ação revolucionária:

A destruição de formas tradicionais de
existência e vida cria as condições objetivas
para a ação revolucionária do proletariado;
o partido proletário cria as subjetivas; e
as duas tendências convergem. [4]


A ruptura histórica que se impõe ao PC do Brasil na década de 30 desencadeia uma nova condição de pertencimento ideológico à URSS, partindo de um marxismo-leninismo pouco definido, assimilando e reordenando uma quebra com setores trotskistas e ainda incorporando as normativas impostas pelo marxismo-leninismo-stalinismo; a organização se vê diante de um processo complexo de adequação de idéias onde suas bases de sustentação política ainda são frágeis e não amparam um projeto ideológico articulado de difusão das doutrinas de ação, somado a isso se deve levar em conta a recente filiação do Partido à Internacional Comunista, oficializada em 1924, o que não lhes garantia segurança de atividade agregado à dificuldade constante de manter-se como uma organização legal dentro do país, como observa Dênis de Moraes:



O virulento anticomunismo de nossas

elites impediu, durante décadas de
irrisório pluralismo, a organização
legal dos marxistas brasileiros.
O itinerário da mídia do PCB, por
isso mesmo, foi bastante aciden-
-tado. Diversas vezes a repressão
policial obrigou as publicações à
clandestinidade ou à mudança de
nome, como forma de resistência.
[5]

Como assinala Moraes, a mídia impressa do Partido e aqui representada pelos jornais Voz Cosmopolita e A Lanterna manteve-se firme na tarefa de difundir as idéias de forma a embasar teoricamente sua atividade e expandir sua ação sobre as massas; esteve muito próxima do marxismo-leninismo quando viu nesse mecanismo de divulgação a base de sua propaganda e a forma de atingir maior número de leitores através de um texto engajado e de fácil compreensão que filtrava matérias teóricas e intercalava com notícias da articulação do movimento comunista internacional, fomentando o espírito internacionalista e relacionando artigos dos líderes do PC brasileiro, compelindo o leitor a universalizar a problemática da luta proletária.

Os periódicos comunistas constituíam-se tanto como mecanismos de conscientização no que tangencia a luta histórica do proletariado contra o capitalismo, como direcionavam as discussões teóricas e a ação dos filiados ao Partido; nas palavras de Moraes:



Podemos resumir o modelo em três pressu-
-postos: 1) educar as massas para elevar o
nível de consciência política; 2) organizar
os setores mais combativos da classe
operária em torno do partido; 3) propa-
-gar a linha ideológica. [6]




Este processo de difusão de idéias tem sua origem na década de 20 quando o marxismo-leninismo ainda era uma constante na linha partidária; com o stalinismo associado a essa perspectiva são produzidas inovações, sobretudo, com o realismo socialista que atinge diretamente a literatura narrativa e a poesia conduzindo à “exaltação do herói proletário”. Esse processo de construção ideológica se equipara ao produzido na União Soviética e, em linhas gerais, preocupa-se em criar um líder nacional capaz de aglutinar a massa trabalhadora em torno de si alavancando o processo revolucionário através da figura do “herói militante”. Tal movimento produziu uma quebra de paradigmas dentro da esquerda brasileira, muitos escritores começaram a se questionar sobre sua função histórica dentro do movimento na medida em que o realismo cerceava a criação artística e contrariava a perspectiva leninista que rejeitava apenas o que tivesse conteúdo reacionário em uma herança cultural.

Se a análise estiver centrada na bipolaridade do mundo, socialismo versus capitalismo, a tendência realista torna-se uma necessidade quando propõe a afirmação de valores que se opõem diretamente ao adversário, porém, no Brasil a apropriação dessa metodologia não tinha esse objetivo e logo causou um cenário de desarticulação e abandono no partido. Nessa época, muitos intelectuais preferiram se desligar do PCB à ter que produzir “panfletos literários” e viam nessa política uma contradição evidente com o caráter emancipador da consciência crítica que tanto alimentou.

Uma análise eminentemente teórica como a que se propõe nesta pesquisa constitui base de referência contextual. A escolha de trabalho centrada no espaço temporal que vai de 1922 a 1935 liga-se a uma conjuntura de rupturas dentro do movimento operário. Inicialmente temos a fragmentação política caracterizada por congressos operários subdivididos tão somente pelo ofício, com a fundação do partido a quebra se estabelece através da estratégia de ação e da uniformidade teórica que passa a nortear o discurso de um grupo dirigente que se integra por diversos mecanismos ideológicos aos demais militantes, levando-se em conta os anos 20 e toda sua carga repressiva visivelmente enraizada em uma sociedade onde a extensão política do coronelismo ainda é muito presente. Tal contexto é descrito nitidamente na obra de Paulo Sérgio Pinheiro como segue:


A política é fatalmente agrária, política de
fazendeiros de café, instalados no catete.
Existe uma oposição burguesa desorganiza-
-da, caótica. Dois únicos partidos organiza-
dos -o Comunista, ainda fraco, pobre, fundado
pouco mais de dois anos e o Partido Republi-
cano, dos grandes fazendeiros de café, partido
forte, rico, partido do governo – quer dizer, os
dois extremos, a extrema esquerda e a extrema
direita. Uma burguesia industrial e comercial
politicamente nula, desorganizada. O atraso
político é tamanho que a burguesia industrial
ainda não formou o seu partido, enquanto o
proletariado já conseguiu forjar o seu partido
desde 1922. [7]

No final dos anos 20, entretanto, outra quebra se estabelece a partir do momento em que o partido entra na ilegalidade e age preponderantemente sob a sigla do BOC (Bloco Operário e Camponês) que provoca nova forma de intervenção política através da frente única. Ao mesmo tempo em que temos uma interação com maior número de militantes há conseqüentemente fragmentação teórica, paradoxalmente a agremiação se amplia, mas seu caráter intrínseco de universalidade ideológica se restringe e a luta cai no desvio pequeno-burguês.

A década de 30 traz novo impasse à organização partidária dos comunistas; os sindicatos que constituíam parte de sua base de apoio passaram a ser demasiadamente controlados por Getúlio Vargas que fez concessões ao setor trabalhista para conter a expansão do movimento no país. Tendo participação nas reuniões internacionais do Comintern o PCB, mesmo agindo sob a égide da frente única, opta por uma nova estratégia de ação, erroneamente interpreta o cenário brasileiro com bases instáveis favorecendo o processo revolucionário e se articula com a URSS para desencadear a insurreição das massas no Brasil.

O desconhecimento da realidade brasileira e a pouca visibilidade histórica do momento conduz o partido a uma nova fase direcionada pela alternância de líderes, reflexão teórica e revisão histórica onde a ideologia, trabalhada num discurso impresso e amplamente difundido através dos jornais representativos de movimentos operários diversos, poderá ser a chave mestra para a consolidação da identidade política do Partido Comunista do Brasil.

Levando-se em conta a organização interna do Partido Comunista do Brasil nos anos de 1922 a 1935 e sua efetiva filiação a Terceira Internacional é possível inferir que grande parte do discurso articulado pela mídia impressa aqui representada nos jornais Voz Cosmopolita e A Lanterna se baseava num conjunto de normativas impostas pelo Comintern e derivadas de discussões que eram pertinentes ao movimento comunista internacional e, para tanto, universalizadas nessa esfera política. Porém, tudo leva a crer que os textos selecionados para publicação estavam submetidos apenas a uma clivagem local do PC do B. Tratando-se de duas publicações implementadas como reação do Partido Comunista do Brasil contra o regime de exceção vigente no Brasil dos anos de 1920 ambos os jornais destinavam-se aos trabalhadores da indústria e do comércio de forma geral estando intrínseco nos anos 20, as raízes do pensamento ácrata enquanto na década de 30 o que vemos é um discurso marxista-leninista, ainda que muitas vezes vulgarizado.



Referências Bibliográficas:

CARONE, Edgard. Socialismo e Anarquismo no início do século. Petrópolis: Vozes, 1995.
HOBSBAWM, Eric J. História do Marxismo: O Marxismo na Época da Segunda Internacional. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
KONDER, Leandro. A Derrota da dialética: recepção das idéias de Marx no Brasil até o começo dos anos trinta. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
MORAES, Dênis de. O imaginário vigiado: a imprensa comunista e o realismo socialista no Brasil (1947-53). Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.
PINHEIRO, Paulo Sérgio e HAAL, Michael M. A Classe Operária no Brasil: documentos (1889 a 1930, volume I – O Movimento Operário). São Paulo: Editora Alfa Omega, 1979.
_________. Estratégias da Ilusão: a revolução mundial e o Brasil (1922-1935). São Paulo: Companhia das Letras, 1991.


Acervos e Jornais:
INTERVENÇÃO de. Astrojildo Pereira ao prefácio de Silvio Romero em Obras Completas de Tobias Barreto. Arquivo Astrojildo Pereira. Centro de Documentação e Memória da UNESP, 1890-1965.

VOZ COSMOPOLITA, Rio de Janeiro: 1922 a 1926.
A LANTERNA, São Paulo: 1922 a 1935.



Notas:


* Acadêmica do Curso de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Este trabalho foi desenvolvido para a disciplina de Estágio I ministrada pela Professora Elisabeth Rochadel Torresini.
[1] DOVAL, Argemiro, As novas energias: o que as impulsiona e suas armas seu presente de anno novo á classe, Voz Cosmopolita, Rio de Janeiro, 01.01.1922, p.2.
[2] INTERVENÇÃO de. Astrojildo Pereira ao prefácio de Silvio Romero em Obras Completas de Tobias Barreto. Arquivo Astrojildo Pereira. Centro de Documentação e Memória da UNESP, 1890-1965. p. 23
[3] INTERVENÇÃO de. Astrojildo Pereira ao prefácio de Silvio Romero em Obras Completas de Tobias Barreto. Arquivo Astrojildo Pereira. Centro de Documentação e Memória da UNESP, 1890-1965.
[4] NEGT, Oscar In HOBSBAWM, Eric J. História do Marxismo: O Marxismo na Época da Segunda Internacional. 2 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. p. 135-136
[5] MORAES, Dênis de. O imaginário vigiado: a imprensa comunista e o realismo socialista no Brasil (1947-53). Rio de Janeiro: José Olympio, 1994. p. 58
[6] MORAES, Dênis de. O imaginário vigiado: a imprensa comunista e o realismo socialista no Brasil (1947-53). Rio de Janeiro: José Olympio, 1994. p. 63
[7] PINHEIRO, Paulo Sérgio. A Classe Operária no Brasil: documentos (1889-1930). Vol 1. São Paulo: Alfa ômega, 1979. p. 272-273

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Moacir Josué Dias Soares*


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O Rompimento Diplomático entre Brasil e União Soviética:
Uma perspectiva ideológica segundo o Jornal do Brasil (1947-1948)
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Resumo:
Este artigo pretende contextualizar a questão do rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e União Soviética (1947) e avaliar alguns dos seus desdobramentos, tais como foram abordados na grande imprensa brasileira, com base no corpus documental do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Avalia também a contribuição desse jornal para a divulgação de uma ideologia em torno da questão.

Palavras-chave: Relações Internacionais. Guerra Fria. Brasil. Estados Unidos. União Soviética. Imprensa brasileira. Ideologia.


Contextos internacional e nacional do pós-Segunda Guerra Mundial

Pode-se considerar o ano de 1945 como o principal divisor de águas no curso da história contemporânea, mais precisamente do século XX. Depois de seis anos marcando o planeta com violência e inimizades entre nações, chegava ao fim a Segunda Guerra Mundial. Algumas das principais conseqüências do final deste conflito foram a derrota final dos regimes totalitários que se impunham desde 1922 na Itália (o fascismo, de Benito Mussolini) e de 1933 na Alemanha (o nazismo, de Adolf Hitler) e a afirmação de duas novas potências no cenário internacional: Estados Unidos, capitalista, e União Soviética, comunista. Esses dois países vão acabar se engajando num conflito político-ideológico que fica conhecido como Guerra Fria
[1]. Paulo Fagundes Vizentini (2000) coloca que:

A sobrevivência e a legitimação internacional logrados pela União Soviética como decorrência de sua atuação na Segunda Guerra, bem como o surgimento de movimentos contestatórios na Europa e na Ásia, produziram a emergência de um novo desafio internacional externo ao sistema.



(...) o socialismo constituía um desafio
ideológico, um fornecedor de armas
e de apoio diplomático, bem como um
modelo econômico alternativo que
inspirava alguns países periféricos.[2]
.

No conjunto das mudanças internacionais, o Brasil também estava incluído. Em 1945, chegava ao fim, depois de oito anos, a ditadura do Estado Novo, com a deposição de Getúlio Vargas. São convocadas eleições para a escolha de um novo presidente e começam a surgir novos (e a ressurgir antigos) partidos políticos, que haviam sido extintos durante o período totalitário. Thomas Skidmore (1969) classifica esses novos partidos em dois grupos: os de dentro e os de fora. “Os de dentro, em 1945, eram aqueles que haviam apoiado Vargas durante o Estado Novo e que representavam agora um farto manancial de votos para o candidato que lhes parecesse mais disposto a continuar suas diretrizes básicas. Os de fora eram aqueles que haviam sido excluídos do poder, desde 1937, especialmente os constitucionalistas liberais”. Entre os de dentro, Skidmore lembra que havia dois partidos fundados por Getúlio: Partido Social Democrático (PSD), que reunia as oligarquias interioranas que apoiavam o ex-presidente) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que reunia essencialmente as massas de trabalhadores urbanos). Já do grupo dos de fora, além do Partido Comunista do Brasil (PCB), ilegal desde 1935 e que voltava à legalidade com a redemocratização, era composto também pela União Democrática Nacional (UDN), de orientação liberal-oligárquica, que reunia as oposições de direita a Vargas. As eleições, realizadas a 2 de dezembro de 1945, confirmaria o triunfo dos de dentro: com a eleição de Eurico Gaspar Dutra (PSD), apoiado pelo PTB e pelo ex-presidente Getúlio Vargas
[3]
Em 1946, logo no início de seu governo, o presidente Dutra começa a mostrar as evidências de uma administração demasiadamente conservadora. O primeiro passo para essa guinada à direita é o estabelecimento de uma aliança com a UDN. A atitude a ser tomada a seguir seria com relação à Guerra Fria: as relações com os Estados Unidos são estreitadas e tem início a perseguição à toda forma de comunismo existente no Brasil. Segundo Vizentini (2004): “O condestável do regime autoritário e ex-simpatizante do Eixo era agora um fiel aliado de Washington. Essa seria a marca de seu governo. Uma mudança de tal magnitude resultava tanto de uma nova correlação de forças internas, como, sobretudo, de externas”
[4]. Uma vez explícito o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos sob o governo de Harry Truman, o corte das relações com a União Soviética, ocorrido em 1947, se dá em dois âmbitos: interno (organizações como a Juventude Comunista e o PCB são consideradas ilegais e os congressistas comunistas têm seus mandatos cassados) e externo (o rompimento diplomático com a União Soviética em outubro de 1947). Porém, sobre o rompimento das relações diplomáticas, Gerson Moura (1990) elucida:
Não se pode considerar a decisão brasileira como produto da recém-nascida guerra fria no plano internacional. Embora houvesse paralelismos com o anticomunismo e anti-sovietismo que animavam a política internacional dos Estados Unidos, a política do governo Dutra tinha motivações internas, embora pudesse ser maximizada pelos desenvolvimentos internacionais. Enquanto o anti-sovietismo americano era parte de uma estratégia global de uma grande potência em busca de uma hegemonia, o anti-sovietismo brasileiro era expressão de uma compreensão específica dos conflitos sociais internos e da maneira de enfrentá-los.
[5]

Tais acontecimentos tiveram muita repercussão na grande imprensa nacional. Neste artigo, optamos por utilizar como fonte de pesquisa o Jornal do Brasil, devido ao seu bem definido posicionamento ideológico no que tange às questões que envolveram a Guerra Fria e à inserção desta no contexto político brasileiro do final da década de 1940. Passemos agora a uma análise de conteúdo em alguns editoriais deste jornal, a fim de avaliarmos a contribuição do mesmo para a formação de uma ideologia acerca dos fatos marcantes da chegada do conflito bipolar ao Brasil.

Jornal do Brasil: histórico, ideologia e posicionamento acerca da Guerra Fria e sua repercussão no Brasil.

Fundado em 1891 por Rodolfo Epifânio de Souza Dantas, o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro apresentava um caráter excessivamente conservador desde a sua fundação. Para se ter uma idéia, naquela época, o JB defendia o restabelecimento da monarquia. Ao final da década de 1940, era propriedade da família dos Condes Pereira Carneiro. Seu público leitor era formado essencialmente pelas elites da zona sul do Rio de Janeiro, configurando aquilo que Nelson Werneck Sodré (1999) denomina imprensa burguesa
[6].
Sobre a Guerra Fria e seu efeito no Brasil, o JB tinha um posicionamento pró-americanista muito bem definido, pois seus editoriais e reportagens fazem clara exaltação aos feitos dos presidentes Eurico Gaspar Dutra e Harry Truman, principalmente àqueles que diziam respeito ao combate ao comunismo nas esferas nacional e internacional. Para este jornal, os Estados Unidos eram um modelo de democracia a ser seguido por todas as nações do mundo e a União Soviética, uma ditadura a ser vencida. Tal posicionamento configura a formação de uma ideologia acerca do confronto político, operado através daquilo que John Thompson (2002) denomina “diferenciação ou expurgo do outro”. Segundo este autor, tal modo de operação ideológico




(...) envolve a construção de um inimigo,
seja ele interno ou externo, que é
retratado como mau, perigoso e ameaçador
e contra o qual os indivíduos são chamados
a resistir coletivamente ou a expurgá-lo.
Essa estratégia, muitas vezes,
sobrepõe-se com estratégias que têm
como fim a unificação, pois o inimigo
é tratado como desafio ou ameaça, contra
os quais as pessoas devem se unir.[7]
.

No editorial intitulado Truman e o ensinamento, de 3 de setembro de 1947, pode-se perceber mais uma exaltação à figura do presidente Truman e às relações Brasil-Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial:

Contra a doutrina do regime soviético os Estados Unidos tornaram-se após a guerra, os fiadores da liberdade das nações, e o Presidente Truman carrega sobre os ombros uma responsabilidade de que não se pode descuidar um instante.



(...) Os Estados Unidos mesmos importaram
do Brasil, durante a guerra, matérias
primas destinadas a sua indústria bélica,
bastando citar o cristal de rocha, sem o qual a
produção de aparelhos de transmissão
e outros não teria sido possível.[8]
.

Ou seja, os Estados Unidos estão sendo colocados como chefes da vanguarda democrática do mundo e o Brasil deve apóiá-los uma vez que os estadunidenses teriam dado grande ajuda material ao nosso país durante o conflito mundial. Porém, o anticomunismo que tomava conta do Brasil na época e que tinha o JB como um de seus principais propagadores fica muito evidente no editorial Fascismo e Comunismo, de 27 de maio de 1947, no qual é afirmado:

Ninguém se deixe iludir pela intransigência e ferocidade das polêmicas entre discípulos de um Stalin e herdeiros espirituais de um Hitler. Os pontos fundamentais da controvérsia mantida por uns e outros em nada se distinguem. Todos têm as mesmas tendências totalitárias: sonham todos com o advento de ditadura. Não podem haver no mundo maiores inimigos da verdadeira democracia.
[9]

O comunismo russo, na opinião deste jornal, era um perigo a ser combatido tal qual era o nazi-fascismo na época da Segunda Guerra, por se tratar de uma doutrina que, tal qual os regimes de Hitler e Mussolini, ameaçavam a consolidação da democracia no mundo. Democracia essa que o JB colocava mais uma vez como principal exemplo os Estados Unidos.
A chegada efetiva da Guerra Fria ao Brasil é marcada por dois fatos que confirmariam o alinhamento incondicional do país à política dos Estados Unidos: o cancelamento do registro do Partido Comunista do Brasil, em maio de 1947, e o rompimento das relações diplomáticas com a União Soviética em outubro do mesmo ano. Sobre o fechamento do PCB, o JB, como se pode perceber em editorial de 29 de maio de 1947, intitulado Atitude desconcertante, tenta isentar qualquer participação do presidente Dutra no episódio, já que os comunistas estavam fazendo tal alegação:

O Presidente da República que não teve a mais leve intervenção no caso debatido no Tribunal Eleitoral, está sendo envolvido numa campanha de descrédito, tendo mesmo os adeptos do credo (comunista) nisso falado em tom categórico, decretando à maneira totalitária, sua demissão do alto posto. É tanto mais estranhável essa atitude recente, quanto eles antes se mostravam respeitosos à Constituição. Eles alguns dias antes do sensacional julgamento, já não falavam tanto em democracia quanto em Constituição. Tornaram-se fervorosos adeptos da Carta Política de 18 de setembro de 1946, que eles ajudaram a elaborar.
[10]

Porém, o editorial Noção de responsabilidade, de 17 de julho de 1947, reproduz um discurso do presidente no qual ele diz:

O Partido Comunista está declarado fora da lei por conta de seus próprios atos e pela sua própria natureza. Logo, não é uma opinião: é uma decisão do mais alto tribunal eleitoral do País.


(...) Não pode restar, neste País, nem
em qualquer parte do mundo, quem
de boa fé negue a evidência de
que o Partido Comunista recebe
orientação alienígena e se coloca,
pela sua ação e pela sua doutrina,
acima das leis do País, ao qual os
seus aderentes não se consideram
obrigados por dever de lealdade
e de obediência exclusivas.[11] .


Dutra tenta parecer isento e imparcial diante de tal fato. Porém, ao dizer que o PCB “recebe orientação alienígena”, acaba por deixar claro seu pensamento sobre o comunismo e sobre a União Soviética, país com o qual seu governo acaba rompendo três meses depois. Um editorial intitulado Acima de tudo o Brasil, publicado na edição do JB de 23 de outubro de 1947, usa de forte apelo nacionalista para justificar a decisão:

Era inevitável que o incidente diplomático, provocado pela política de expansionismo absorvente da Rússia soviética, terminasse no rompimento de relações entre o nosso Governo e o governo de Moscou.


(...) Essa atitude vai sendo comentada
com louvores pelas demais nações
do mundo civilizado, com exceção,
naturalmente, das que se tornaram
satélites do Soviet. (...) Quem está em
causa é o Brasil, ferido na sua
dignidade e altivo o bastante para
reprimir a afronta.[12]
.

Isentando qualquer influência norte-americana, o texto coloca o rompimento diplomático como uma decisão totalmente brasileira, já que o país estaria se sentindo ofendido diante do expansionismo político da Rússia soviética; expansionismo este que estaria se dando através da força.


Considerações finais

Considerando o contexto histórico do início da Guerra Fria e a forte propaganda ideológica do Jornal do Brasil acerca deste conflito, chegamos a três conclusões básicas: 1) a presença de um forte sentimento anticomunista no Brasil, propagado essencialmente pela imprensa cujo principal público alvo era a burguesia do país; 2) a necessidade do JB em justificar a escolha pelo alinhamento com os Estados Unidos e o corte irrestrito de relações com a União Soviética (ex: a tentativa de isentar Dutra de ter interferido na decisão de cancelar o registro do PCB) e, por fim, 3) a tentativa de evidenciar um sentimento nacionalista brasileiro no episódio do rompimento diplomático propriamente dito, tentando camuflar a grande verdade, que era a americanização das relações internacionais do Brasil em nome de interesses econômicos.


Referências Bibliograficas

ALMEIDA, Lúcio Flávio Rodrigues de. Insistente desencontro: o PCB e a revolução burguesa no período 1945-64. In: MAZZEO, Antônio Carlos e LAGOA, Maria Izabel (orgs.). Corações vermelhos: os comunistas brasileiros no século XX. São Paulo: Cortez, 2003.

BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. Brasil, Argentina e Estados Unidos: da Tríplice Aliança ao Mercosul (1870-2003). 2. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2003.

CAPELATO, Maria Helena Rolim. Imprensa e história do Brasil. São Paulo: Contexto/ EDUSP, 1988.
CASALECHI, José Ênio. O Brasil de 1945 ao golpe militar. São Paulo: Contexto, 2002.

CERVO, Amado Luiz (org.). O desafio internacional: a política exterior do Brasil de 1930 a nossos dias. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994.

HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

IANNI, Octávio. Estado e planejamento econômico no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986.

MOURA, Gerson. O alinhamento sem recompensa: a política externa do governo Dutra. Rio de Janeiro: CPDOC/FGV, 1990.

__________. Tio Sam chega ao Brasil: a penetração cultural americana. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1988.
PACHECO, Eliezer. O Partido Comunista Brasileiro (1922-1964). São Paulo: Alfa-Ômega, 1984.
SILVEIRA, Helder Gordim da. A integração latino-americana: projetos e realidades. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1992.
SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964). 2.ed. Rio de Janeiro: Saga, 1969.

SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.
THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

VIZENTINI, Paulo Gilberto Fagundes. História do século XX. 2. ed. Porto Alegre: Novo Século, 2000.
.
___________. Relações exteriores do Brasil (1945-1964): o nacionalismo e a política externa independente. Petrópolis: Vozes, 2004.



Fonte consultada:

Jornal do Brasil, abril a outubro de 1947.



Notas:

* Acadêmico do Curso de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Artigo elaborado como requisito parcial de avaliação da disciplina de Estágio I (bacharel), lecionada pela Profª Drª Elizabeth W. Rochadel Torresini, a partir de pesquisa de monografia orientada pelo Prof. Dr. Helder Gordim da Silveira.


[1] Tal denominação se dá porque em nenhum momento houve um enfrentamento direto entre Estados Unidos e União Soviética, embora o mundo temesse a eclosão de uma terceira guerra mundial, devido ao fato de os dois países serem possuidores de grandes arsenais de armas nucleares.
[2] VIZENTINI, Paulo G. F. História do século XX. 2. ed. Porto Alegre: Novo Século, 2000. p. 95.
[3] SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964). 2. ed. Rio de Janeiro: Saga, 1969. p. 80
[4] VIZENTINI, Paulo G. F. Relações exteriores do Brasil: o nacionalismo e a política externa independente (1945-1964). Petrópolis: Vozes, 2004. p. 17
[5] MOURA, Gerson. O alinhamento sem recompensa: a política externa do governo Dutra. Rio de Janeiro: CPDOC/FGV, 1990. p. 89
[6] Tal denominação é encontrada em SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.
[7] THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 87
[8] Jornal do Brasil, dia 03/09/1947, p. 5.
[9] Jornal do Brasil, dia 27/05/1947, p. 5.
[10] Jornal do Brasil, dia 29/05/1947, p. 5.
[11] Jornal do Brasil, dia 17/07/1947, p. 5.
[12] Jornal do Brasil, dia 23/10/1947, p. 5.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Karine Lima da Costa*






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Egiptomania em charges publicadas nos jornais Zero Hora e Diário
Gaúcho (Porto Alegre-século XXI)



Resumo:
Este artigo tem como objetivo analisar a reinterpretação feita pela nossa sociedade de quatro charges publicadas nos jornais gaúchos Zero Hora e Diário Gaúcho que trazem elementos egípcios em sua composição, visando compreender um aspecto de um fenômeno milenar de transculturação: a egiptomania, que é o uso e a reinterpretação da cultura do Egito Antigo ao longo dos tempos.

Palavras-chave: Egito Antigo; egiptomania; transculturação; charge; caricatura; imaginário social.


O interesse pela civilização egípcia não é de hoje. Há muito percebemos que os objetos e os símbolos sagrados egípcios movem a curiosidade e a imaginação dos ocidentais. Este interesse pode se apresentar por meio de três formas distintas: 1) “egiptofilia”: gosto pelo exotismo e pela posse de objetos relativos ao Egito antigo;
2) “egiptomania”: reinterpretação e reuso de traços da cultura do antigo Egito, de uma forma que lhe atribua novos significados;
3) “egiptologia”: ramo da ciência que trata tudo aquilo relacionado ao antigo Egito.
[1]
Pude constatar que o imaginário coletivo é o fator principal para explicar tamanho interesse por esta civilização, como explica Bronislaw Baczko:

(...) A imaginação social, além de fator
regulador e estabilizador, também
é a faculdade que permite que os
modos de sociabilidade existentes
não sejam considerados definitivos
e como os únicos possíveis, e que
possam ser concebidos outros
modelos e outras fórmulas. [2]

Foi através desta curiosidade pela cultura oriental (mais especificamente o Egito), que se manifesta através da arquitetura, da publicidade, do vestuário, da mídia e também dos textos de humor, que eu procurei analisar algumas charges publicadas em jornais da Imprensa gaúcha, para poder compreender o porquê desta ligação e deste interesse pelos símbolos e objetos do Egito antigo. Os jornais escolhidos foram Zero Hora e Diário Gaúcho, ambos de Porto Alegre, nos quais eu encontrei charges bem interessantes de serem analisadas.
Esta charge, por exemplo, foi publicada pelo jornal Diário Gaúcho, no dia 05 de maio de 2005, por Alexandre Oliveira. A charge traz a figura de Zahi Hawass, o chefe do Conselho Supremo de Antigüidades Egípcias, conversando com uma múmia de 2300 anos e considerada a mais bonita de todas as múmias encontradas no Egito.

A imagem faz referência a uma reportagem que foi publicada pelo mesmo jornal no dia anterior (04 de maio), onde uma equipe de arqueólogos egípcios havia encontrado dois meses antes uma múmia de 2,3 mil anos numa escavação em Sakkara, ao sul do Cairo. A múmia estava enterrada a 6m de profundidade e seu sarcófago era de madeira, colorido e cheio de detalhes. Supõe-se que a múmia date da última dinastia faraônica que governou o Egito entre 378 e 341a.C.
Segundo o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, o humor não é um estado de espírito, e sim uma visão de mundo. Através deste pensamento que baseei a análise das charges e caricaturas encontradas, já que a caricatura não é somente a tribuna de seu desenhista. Além de orientar ou refletir a opinião do público a que se dirige, é também sua voz, o que a torna uma forma de expressão importante e temida.
[3]
Tanto a charge quanto a caricatura podem expressar sentimentos e opiniões, tanto pessoais (de quem as reproduz), quanto à do público que as observa. A diferença entre charge e caricatura é que a charge trabalha com uma determinada situação e a caricatura representa apenas uma fisionomia específica que exagera e até ridiculariza os traços de seus personagens.
A charge satiriza e, ao mesmo tempo, critica fatos específicos do dia-a-dia através do humor de suas representações. Geralmente ela trata de acontecimentos políticos e que são do conhecimento público, como explica Joaquim da Fonseca:
Caricatura e humor são formas de opinião e muitas vezes, mesmo nas épocas de repressão e de censura, são forma sutil e nem por isso menos poderosa de protesto, contestação e subversão.
[4]


A charge abaixo trás a imagem do político brasileiro Nelson Jobim e foi publicada no jornal Zero Hora do dia 08 de janeiro de 2006 sob o título: O Enigma Jobim, utilizando a esfinge como sátira política. A reportagem saiu quando o até então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) antecipou em dois meses suas saída da presidência. Na mesma época ainda estava sendo discutida a possibilidade de o atual ministro da Defesa se candidatar a vice de Lula na chapa à reeleição, onde ele mesmo afirmou que não se entusiasmava com a vaga.


Na imagem, podemos perceber claramente a utilização dos ícones egípcios dando ênfase à esfinge e nos mostrando que Jobim seria uma incógnita, um mistério a ser desvendado já que a esfinge nos remete a esse pensamento. O fato de Jobim estar sendo representado pela esfinge egípcia nos mostra um exemplo do que a egiptomania trabalha: a transculturação, que sob a definição do antropólogo cubano Fernando Ortiz nos diz que:
Entendemos que o vocábulo transculturação expressa melhor o processo de transição de uma cultura para outra, porque este processo não consiste somente em adquirir uma cultura diferente, o que, a rigor, significa o vocábulo anglo-saxão acculturation, porém o processo implica também, necessariamente, na perda, no desenraizamento de uma cultura anterior, o que se poderia chamar de uma desculturação parcial, e, além do mais, significa a criação conseqüente de novos fenômenos culturais, que se poderiam denominar neo-culturação.
[5]


Ou seja, nas práticas de egiptomania não ocorrem apenas perdas, mas também ganhos, já que elementos de uma cultura distinta se ligam a outra.
As charges que seguem foram publicadas também pela Zero Hora nos dias 24 e 25 de novembro de 2004. No dia 24 o time do Internacional jogou contra os argentinos do Boca Juniors, levando uma goleada de 4 a 2 na primeira partida da semifinal da Copa Sul-Americana.


Nas charges a figura central é o obelisco de Buenos Aires, símbolo da capital argentina. A primeira charge foi publicada no dia do jogo (24/11) e mostra o cavalo do time brasileiro sendo amarrado ao obelisco argentino, como que “marcando território”. No dia seguinte, com a derrota do Internacional, o artista fez uma outra charge mostrando o mesmo obelisco, porém sem o cavalo, fazendo alusão à derrota do time brasileiro.












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Desta pesquisa eu pude perceber o quanto que o Egito antigo está presente no imaginário coletivo. A curiosidade pela cultura dessa civilização ultrapassou milhares de anos e dura até hoje, basta observarmos alguns estabelecimentos comerciais e até mesmo charges e caricaturas publicadas em jornais que lemos todos os dias, mas que muitas vezes deixamos o olhar passar despercebido...


Referências Bibliográficas:

BACZKO, Bronislaw. “Imaginação social”. In Enciclopédia Einaudi, s. 1. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, Editora Portuguesa, 1985.
BAKOS, Margaret M. Egiptomania: o Egito no Brasil. São Paulo: Paris Editorial, 2004.
FONSECA, Joaquim da. Caricatura: a imagem gráfica do humor. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999.
HENFIL. Como se faz humor político. Petrópolis: Vozes, 1984.
HUMBERT, Jean-Marcel. (ed). Egyptomania: Egypt in Western. 1730-1930. Ottawa: Éditions e La Réunion des Musées Nationaux, 1994.
ORTIZ, Fernando. Contrapunteo cubano del azúcar y del tabaco. Empresa Consolidada de Artes Gráficas. La Habana, 1963.
PAGLIOSA, Elcemina Lucia Balvedi. O traço nada inocente da charge: um estudo sociocognitivo do texto de humor. Porto Alegre, 2004.


Fontes consultadas:
Jornal Diário Gaúcho 05/05/2005
Jornal Zero Hora 08/01/2006
Jornal Zero Hora, sessão Informe Especial, página 3. 24/11/2004 Chargista: Marco Aurélio.
Jornal Zero Hora, sessão Informe Especial, página 3. 25/11/2004 Chargista: Marco Aurélio.


Notas:

* Acadêmica do Curso de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Artigo feito para a cadeira de Estágio I, ministrada pela professora Elizabeth W. Rochadel Torresini.
[1]HUMBERT, Jean-Marcel. (ed). Egyptomania: Egypt in Western. 1730-1930. Ottawa: Éditions e La Réunion des Musées Nationaux, 1994.
[2] BACZKO, Bronislaw. “Imaginação social”. In Enciclopédia Einaudi, s. 1. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, Editora Portuguesa, 1985, p. 403.
[3] FONSECA. Joaquim da. Caricatura: a imagem gráfica do humor. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999, p.12.
[4] FONSECA. Joaquim da. Caricatura: a imagem gráfica do humor. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999, [p.2].
[5] ORTIZ, Fernando. El contrapunteo cubano del azúcar y del tabaco. Cuba: Editorial de ciencias sociales, La Habana, 1983: Del fenómeno de la "transculturación" y de su importancia en Cuba. Tradução de Lívia Reis.